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Les Fleurs du Mal

Um livro que não pode faltar na biblioteca particular de ninguém.
Difícil de abandonar este livro de poemas, livro que custou chegar em minhas mãos... Livro é algo difícil de emprestar e alguns títulos complicados de encontrar.

Um livro contendo toda dor e confusão humana em ritmo e prosa, mostrada por palavras e caminhos tortos de trevas e divindade, escondidos e muito bem amarrados, em belos versos dentro de um homem. Sentimentos imorais e sombrios linha a após linha... Um livro fora de série... (“Ducaralho”)

Um homem chamado Charles Baudelaire... Nascido 9 de abril de 1821 em Paris, na R. Hautefeuille, 13 (casa demolida; atual livraria Hachete, Boulev. St. Germain)

25 de junho de 1857 é a data da publicação do livro Les Fleurs du Mal... Obra que um mês depois teve a maioria dos exemplares apreendida pelas autoridades e meses após a publicação um julgamento que lhe rendeu uma multa de 300 francos e à destruição de vários poemas (“Poemas Condenados”)

E em 31 de agosto dez anos depois viria a morrer e nesse mesmo dia começam ser publicados os seus últimos poemas em prosa na Revue nationale. Dia 2 de setembro funeral do poeta, que é sepultado no cemitério Montparnasse.

E no mesmo ano de sua morte, no dia 4 de dezembro os direitos das obras do poeta são arrematados num leilão publico por Michel Lévy por 1750 francos.


Poema:

Ao leitor

Sempre tolice e erro, culpa e mesquinhez
Trabalham nosso corpo e ocupam nosso ser,
E aos remorsos gentis, nós damos de comer
Como o mendigo nutre a sua sordidez

Frouxo é o arrependimento e tenaz o pecado
Por nossas confissões muito é o que a alma reclama,
Voltando com prazer a um caminho de lama,
Crendo lavar as manchas com pranto amaldiçoado.

Junto ao berço do mal satã trismegisto,
A nossa alma a ninar tão longamente invade,
Do precioso metal desta nossa vontade
Este alquimista faz um vapor imprevisto

É o diabo que nos move através de cordéis!
O objeto repugnante é o que mais nos agrada;
E do inferno a descer sempre um degrau da escada,
Vamos à noite errar sentinas cruéis.

Tal como o libertino que beija e mastiga
O seio enrugado da velha vadia
Furtamos ao acaso uma oculta alegria
Que esprememos assim como laranja antiga.

Espesso, a formigar como um milhão de helmintos,
Ceva-se em nossa fronte um povo de avejões,
E quando respiramos, a morte nos pulmões
Desce, invisível rio e com sons indistintos.

E se o estupro, o veneno, o incêndio e a punhalada,
Não puderam bordar com seus curiosos planos
A trama banal vã dos destinos humanos,
É que nossa alma enfim não é bastante ousada.

No entanto entre lebréus, panteras e chacais,
Macacos e escorpiões, abutres e serpentes,
Os monstros a grunhir, ladrantes ou gementes,
Que são o nosso vício em infames currais.

Um existe mais feio e mais perverso e imundo!
Embora não se expanda em gestos ou em gritos,
De bom grado faria da terra só detritos
E num simples bocejo engoliria o mundo.

É o tédio – os olhos seus que a chorar sempre estão,
Fumando o seu cachimbo, sonha com o cadafalso.
Tu o conheces, por certo, o frágil monstro, ó falso
Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão!

      



Escrito por Diego Navarro às 20h18
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